quarta-feira, 24 de junho de 2009

Como deve alguém ler um livro?

Virginia Wolf - The Common Reader, cap. 22

http://ebooks.adelaide.edu.au/w/woolf/virginia/w91c2/index.html

Tradução: Leandro Diniz

Em primeiro lugar, eu quero enfatizar o ponto de interrogação no fim do meu título. Mesmo que eu consiga responder a pergunta a mim mesma, a resposta deve se aplicar apenas a mim e não a você. O único conselho, de verdade, que uma pessoa pode dar a outra sobre leitura é não ter nenhum conselho, a seguir seus próprios instintos, a utilizar sua própria razão, a chegar a conclusões próprias. Se isso estiver acordado entre nós, então me sinto livre para colocar umas poucas idéias e sugestões, pois você não vai permitir que elas restrinjam essa independência que é a qualidade mais importante que um leitor pode possuir. Até porque, quais leis podem ser baixadas sobre livros? A batalha de Waterloo foi certamente lutada num certo dia; mas é Hamlet uma peça melhor que Rei Lear? Ninguém pode dizer. Cada um deve decidir essa questão por si mesmo. Admitir autoridades, mesmo que adornadas com peles e mantos, em nossas bibliotecas e deixá-las nos dizer como ler, o que ler, qual valor depositar sobre o que nós lemos, é destruir o espírito de liberdade que é o ar puro desses santuários. Em qualquer outro lugar podemos nos curvar diante das convenções e leis – lá nós não temos.

Mas para desfrutar a liberdade, se a platitude é perdoável, nós devemos com certeza controlarmo-nos. Nós não podemos gastar nossas forças, ignorante e desesperadamente, molhando metade da casa a fim de regar apenas um arbusto de rosas; nós devemos treiná-las, exata e poderosamente, aqui no lugar mais importante. Esta é uma das primeiras dificuldades que nós encontramos numa biblioteca. O que é “lugar mais importante”? Lá, pode muito bem parecer, que nada mais é do que uma conglomeração e um agregado de confusão. Poemas e novelas, histórias e memórias, dicionários e livros de citações; livros escritos em todas as línguas de homens e mulheres de todos os temperamentos, raças e idades brigando uns contra os outros nas prateleiras. E lá fora o zurro do burro, as mulheres fofocando na bomba, o potro galopando no campo. Por onde devemos começar? Como nós podemos trazer ordem a essa multitude caótica e conseguirmos o mais vasto e profundo prazer do que lemos?

É simples demais dizer que desde que livros possuem classes – ficção, biografia, poesia – nós devemos separá-los e extrair de cada um o que é certo de que cada um possa nos dar. Ainda poucas pessoas exigem dos livros o que os livros podem nos dar. Comumente nós vamos aos livros com a mente embaçada e dividida, exigindo da ficção o que daquilo pode ser verdade, da poesia o que pode ser falso, das biografias o que pode ser elogioso, da história o que pode reforçar nossos próprios preconceitos. Se nós pudéssemos banir todos esses preconceitos quando lêssemos, qual não seria um admirável início. Não tente dar ordens para seu autor, mas tente tornar-se nele. Seja seu companheiro de trabalho e ajudante. Se você hesitar, e fizer reservas e criticar logo de cara, você está prevenindo a si mesmo de obter todos os valores possíveis daquilo que você lê. Mas se você abrir sua mente com a maior amplitude possível, então sinais e dicas de sutileza quase imperceptível, dos giros e voltas das primeiras sentenças, lhe colocarão na presença de um ser humano como nenhum outro. Impregne-se disso, familiarize-se com isso, e logo você verá que o seu autor está lhe dando, ou está tentando lhe dar, algo muito mais definido. Os trinta e dois capítulos de uma novela – se nós considerarmos como ler uma novela antes – são uma tentativa de fazer algo tão fabricado e controlado quanto um edifício: mas palavras são mais impalpáveis que tijolos, a leitura é um processo mais longo e complicado que ver. Talvez o caminho mais rápido para entender os elementos do que um novelista está fazendo não é ler, mas escrever; fazer seu próprio experimento com os perigos e dificuldades das palavras. Relembre, então, algum evento que deixou uma impressão distinta em você – como que na esquina da rua, talvez, você passou por duas pessoas conversando. Uma árvore balançou, uma luz elétrica dançou, o tom da conversa era cômico, mas também trágico; uma visão geral, uma concepção completa, aparece contida naquele momento.

Mas quando você tenta reconstruir isso em palavras, você verá que isso se quebra em milhares de impressões conflituosas. Algumas precisam ser subjugadas; outras enfatizadas; no processo você perderá, provavelmente, todo alcance sobre a própria emoção. Então se volte das suas páginas borradas e sujas para as páginas inicias de um grande novelista – Defoe, Jane Austen, Hardy. Agora você estará melhor capacitado para apreciar sua maestria. Não é meramente que nós estejamos em presença de uma pessoa diferente – Defoe, Jane Austen ou Thomas Hardy – mas que nós estaremos vivendo num mundo diferente. Aqui, em Robinson Crusoe, nós andamos laboriosamente por uma verdadeira auto-estrada; uma coisa acontece depois de outra; o fato e a ordem do fato são suficientes. Mas se o ar livre e a aventura significam tudo para Defoe eles não significam nada para Jane Austen. Dela é a sala de visitas, e as pessoas falando, e pelos muitos espelhos de suas falas revelando suas personalidades. E se, quando tivermos nos acostumado com a sala de visitas e seus reflexos, nos voltarmos para Hardy, nós somos girados mais uma vez. As terras inférteis estão ao nosso redor e as estrelas sobre nossas cabeças. O outro lado da mente é agora exposto – o lado negro que vem, sobretudo na solidão, não o lado luminoso que aparece na companhia. Nossas relações não se dão com as pessoas, mas com a Natureza e o destino. Ainda diferentes como são esses mundos, cada um é consistente consigo mesmo. O fabricante de cada um é cuidadoso para observar as leis de sua própria perspectiva, e qual seja a enorme tensão que possam colocar sobre nós, eles nunca vão nos confundir, assim como os escritores menores geralmente fazem, ao introduzir dois tipos diferentes de realidades no mesmo livro. Assim ir de um grande novelista para outro – de Jane Austen a Hardy, de Peacook a Trollope, de Scott a Meredith – é como ser arrebatado e desarraigado; ser jogado desse jeito e depois daquele. Ler uma novela é uma difícil e complexa arte. Você deve ser capaz não somente de uma grande sutileza de percepção, mas de grande audácia de imaginação, se for fazer uso de tudo o que o novelista – o grande artista – pode lhe dar.

Mas uma espiada na companhia heterogênea da prateleira lhe mostrará que escritores muito raramente são “grandes artistas”; muito mais freqüente um livro não faz questão alguma de ser uma obra de arte. Essas biografias e autobiografias, por exemplo, vidas de grandes homens, de homens, há muito, mortos ou esquecidos, que estão lado a lado com as novelas e poemas, nós deveríamos nos recusar lê-las porque não são “arte”? Ou devemos ler em primeiro lugar para satisfazer aquela curiosidade que nos acomete de vez em quando ao passarmos a noite defronte uma casa, e hesitar, onde as luzes estão acesas e as cortinas ainda não cerradas, e cada andar da casa nos mostra uma seção diferente da vida do ser humano? Então nós somos consumidos com uma curiosidade sobre a vida dessas pessoas – os serventes fofocando, os senhores jantando, a garota se arrumando para uma festa, a mulher idosa à janela no seu tricô. Quem são eles, o que são eles, quais são seus nomes, suas ocupações, seus pensamentos, e suas aventuras?

Biografias e memórias respondem a tais perguntas, alegram inúmeras dessas casas; elas nos mostram pessoas fazendo as coisas do dia a dia, trabalhando, falhando, tendo sucesso, comendo, odiando, amando, até a sua morte. E algumas vezes na medida em que olhamos, a casa esmaece e os trilhos de ferro desaparecem e nós estamos então no mar; estamos caçando, velejando, pescando; estamos entre selvagens e soldados; estamos tomando parte nas grandes campanhas. Ou se nós gostamos de permanecer aqui na Inglaterra, em Londres, mesmo assim a cena muda; a rua se estreita, a casa fica menor, apertada, em formato de diamante, e malcheirosa. Nós vemos um poeta, Donne, conduzido por tal casa, pois as paredes são tão finas que quando as crianças choram suas vozes cortam através delas. Nós podemos segui-lo, entre os caminhos que estão nas páginas de livros, para Twickenham; para Lady Bedford´s Park, um famoso lugar de encontro de nobres e poetas; e então girar nossos passos em direção a Wilton, a grande casa sob o monte, e ouvir Sidney ler a Arcadia para sua irmã; e passear entre aqueles pântanos e ver aquelas garças que figuram naquele famoso romance; e novamente viajar ao norte com aquela outra Lady Pembroke, Anne Clifford, para sua charneca selvagem, ou mergulhar na cidade e controlar nossa alegria na visão de Gabriel Harvey em seu terno negro de veludo conversando sobre poesia com Spencer. Nada é mais fascinante que tatear e tropeçar no esplendor e trevas da Londres Elizabetana. Mas lá não existe a permanência. Os Temples e os Swifts, os Harleys e o St. John nos acenam; hora depois de hora pode-se passar desembaraçando suas querelas e decifrando seus personagens; e quando nos cansamos deles podemos ir, passando pela dama de preto usando diamantes, a Samuel Johnson e Goldsmith e Garrick; ou cruzar o canal, se preferirmos, e encontrar Voltaire e Diderot, Madame Du Deffand; e então voltar à Inglaterra e Twickenham – como certos lugares se repetem e certos nomes! – onde uma vez Lady Bedford teve seu Parque e Pope lá viveu depois, para a casa de Walpole na Strawberry Hill. Mas Walpole nos introduz a tais abundantes novos conhecidos, existem tantas casas a visitar e sinos a badalar que nós podemos hesitar por um momento, nos degraus da entrada de Miss Berry, por exemplo, quando observamos, lá vem Thackeray; ele é o amigo da mulher que Walpole amou; assim meramente indo de amigo a amigo, de jardim a jardim, de casa a casa, nós passamos de um fim da literatura inglesa a outro e acordamos para nos achar novamente aqui no presente, se nós pudermos então diferenciar este momento de todos que passaram antes. Isto, então, é um dos jeitos nos quais podemos ler essas vidas e cartas; podemos fazê-los acender as muitas janelas do passado; nós podemos assistir os mortos famosos em seus hábitos familiares e imaginar às vezes que estamos bem perto e podemos surpreender seus segredos, e às vezes podemos tirar uma peça ou um poema que eles escreveram e ver se a sua leitura muda na presença do autor. Mas isso, de novo, desperta outra questão. Quanto, devemos nos perguntar, é um livro influenciado pela vida do autor – quanto é seguro deixar o homem interpretar o autor? Quanto devemos resistir ou abrimo-nos às simpatias e antipatias que o próprio homem despertou em nós – tão sensíveis são as palavras, tão receptivo do caráter do autor? Estas são questões que nos pressionam quando nós lemos vidas e cartas, e devemos responder por nós mesmos, pois nada pode ser mais fatal que ser guiado pelas preferências dos outros em assunto tão pessoal.

Mas também podemos ler tais livros com outro propósito, não para trazer luz à literatura, não para se tornar familiarizado com pessoas famosas, mas a fim de refrescar e exercitar nossos próprios poderes criativos. Não existe uma janela aberta do lado direito da estante de livros? Quão delicioso é parar de ler e olhar pela janela! Como é estimulante a cena, na sua inconsciência, na sua irrelevância, no seu movimento perpétuo – os potros galopando ao redor do campo, a mulher enchendo o balde no poço, o burro jogando sua cabeça para trás e emitindo seu longo, amargo lamento. A grande parte de qualquer biblioteca não é nada mais que o registro de tais momentos fugazes nas vidas dos homens, mulheres, e burros. Toda literatura, na medida em que envelhece, tem sua acumulação de momentos perdidos, seus registros de momentos desaparecidos e vidas esquecidas contadas com acentuações vacilantes e débeis que se extinguiram. Mas se você se permitir às delicias da leitura desses lixos você será surpreendido, de fato estará sujeito, pelas relíquias da vida humana que foram invocadas para mofar. Pode ser uma carta – mas que visão isso dá! Podem ser poucas sentenças – mas que imagens sugerem! Algumas vezes toda uma estória virá unificada com tal belo humor e emoção e completude que parecerá como se um grande novelista tivesse trabalhado, ainda que seja somente um velho ator, Tate Wilkinson, lembrando a estranha estória do Capitão Jones; é somente um jovem subalterno servindo a Arthur Wellesley e se apaixonando com a bela garota em Lisboa; é somente Maria Allen deixando cair sua costura na sala de visitas vazia e suspirando como que desejara que tivesse aceitado o bom conselho de Dr. Burney e tivesse fugido com seu Rishy. Nada disso tem nenhum valor; é insignificante ao extremo; ainda quão impressionante é agora e novamente ir através dos restos e achar anéis e tesouras e narizes quebrados enterrados no vasto passado e tentar juntá-los enquanto o potro galopa ao redor do campo, a mulher enche o balde no poço, e o burro zurra.

Mas nós cansamos de leitura frívola com o passar do tempo. Cansamos de procurar pelo que é necessário a completar as meias-verdades que é tudo o que os Wilkinsons, os Bunburrys, e as Maria Allens são capazes de nos oferecer. Eles não possuem o poder artístico de dominar e eliminar; eles não poderiam contar toda a verdade mesmo sobre suas próprias vidas; eles desfiguraram a estória que poderia ser tão formosa. Fatos são tudo o que eles podem nos oferecer, e fatos são uma forma bem inferior de ficção. Então o desejo cresce em nós por termos de lidar com meios-relatos e aproximações; para cessar de procurar pelos ínfimos tons da personalidade humana, para desfrutar as maiores abstrações, a pura verdade da ficção. Então nós criamos o temperamento, intenso e generalizado, sem conhecimento dos detalhes, mas enfatizado por alguma regularidade, um pulso recorrente, de que a expressão natural é a poesia; e está no tempo de ler poesia quando nós estamos praticamente impelidos a escrevê-la.

Western wind, when wilt thou blow?

The small rain down can rain.

Christ, if my love were in my arms,

And I in my bed again!

(Tradução livre:

Vento do oeste, quando tu ventarás?

A pequena garoa pode chover

Cristo, se meu amor estive em meus braços,

E eu na minha cama novamente!)

O impacto da poesia é tão forte e direto que no momento não existe outra sensação exceto aquela do próprio poema. Que profundezas profundas visitamos então – como repentina e completa é nossa imersão! Não existe nada aqui para se apoderar; nada para apoiar nossa viagem. A ilusão da ficção é gradual; seus efeitos são preparados; mas quem quando lê essas quatro linhas se detém a se perguntar quem as escreveu; ou traz à mente o pensamento da casa de Donne ou da secretária de Sidney; ou os captura no intrincado passado e na sucessão das gerações? O poeta é sempre nosso contemporâneo. Nosso ser naquele momento é centrado e constringindo, como em um choque violento de emoção particular. Subseqüentemente, é verdade, a sensação começa a se espalhar em círculos maiores na nossa mente; sentidos remotos são alcançados; isto começa a soar e comentar e ficamos cientes dos ecos e reflexos. A intensidade da poesia cobre uma imensa gama de emoções. Temos somente que comparar a força e o imediatismo de

I shall fall like a tree, and find my grave

Olny remembering that I grieve,

(Tradução livre:

Tombarei como uma árvore, e acharei meu túmulo

Lembrando somente que sofro,)

com a modulação ondulatória de

Minutes are numbered by the fall of sands,

As by an hour glass; the span of time

Doth waste us to our graves, and we look on it;

An age of pleasure, reveled out, comes home

At last and ends in sorrow; but the life,

Weary of riot, numbers every sand,

Wailing in sighs, until the last drop down,

So to conclude calamity in rest,

(Tradução livre:

Minutos são numerados pelo cair das areias,

Como por uma hora de vidro; a duração do tempo

Faz-nos terminar em nossos túmulos, e os observamos;

Uma era de prazer, revelada, volta para o lar

Finalmente e termina em aflição; mas a vida,

Exausta de confusão, numera cada areia,

Lamenta em suspiros, até a queda da última gota,

Para concluir a calamidade no descanso,)

ou colocar a calma meditativa de

whether we be young or old,

Our destiny, our being’s heart and home,

Is with infinitude, and only there;

With hope it is, hope that can never die,

Effort, and expectation, and desire.

And something evermore about to be,

(Tradução livre:

se somos jovens ou velhos,

Nosso destino, nosso ser é coração e o lar,

É com infinitude, e somente lá;

Com esperança é, esperança nunca pode morrer,

Esforço, e expectativa, e desejo.

E algo mais sempre está pra ser,)

junto a amabilidade completa e exaustiva de

The moving Moon went up the sky,

And no where did abide:

Softly she was going up,

And a star or two beside –

(Tradução livre:

A Lua dançante subiu no céu,

E em lugar algum permaneceu:

Suavemente ela foi subindo,

E uma ou duas estrelas ao lado –)

ou a fantasia esplendida de

And the woodland haunter

Shall not cease to saunter

When, far down some glade

Of the great world’s burning,

One soft flame upturning,

Seems, to his discerning,

Crocus in the shade.

(Tradução livre:

E o assombrador da floresta

Não cessará de vaguear

Quando, longe abre uma clareira

Da maior queimadura do mundo,

Uma chama suave se vira,

Parece, a sua distinção,

Nas sombras um açafrão.)

para nós refletirmos sobre a variedade da arte do poeta; seu poder de fazer-nos de uma só vez atores e espectadores; seu poder de correr a mão pelo personagem como se fosse uma luva, e ser Falstaff ou Lear; seu poder de condensar, de expandir, a expressar, uma vez e pra sempre.

“Nós só temos que comparar” – com essas palavras o gato está fora do saco, e a verdadeira complexidade da leitura é admitida. O primeiro processo, receber impressões com a mais alta compreensão, é somente metade do processo da leitura; que precisa ser completado, se queremos obter o prazer total de um livro, por outro. Devemos passar o julgamento sobre essas impressões inumeráveis; devemos transformar essas formas transitórias em uma que seja mais rígida e duradoura. Mas não diretamente. Espere pela poeira da leitura assentar; para o conflito e os questionamentos a se amarrarem; ande, converse, puxe as pétalas mortas de uma rosa, ou adormeça. Então repentinamente sem o nosso desejo para tal, pois assim é que a natureza nos conduz nessas transições, o livro vai retornar, mas diferentemente. Ele flutuará ao topo da mente como um todo. E o livro como um todo é diferente do livro recebido no momento em frases separadas. Detalhes agora se encaixam nos seus lugares. Nós vemos a forma do começo ao fim; seja isto um celeiro, um curral de porcos, ou uma catedral. Então agora podemos comprar livro com livro como comparamos edifícios com edifícios. Mas esse ato de comparação significa que nossa atitude mudou; não somos mais amigos do escritor, mas seus juízes; e assim como não podemos ser tão simpáticos como amigos, assim como juízes não podemos ser muito severos. Não são eles criminosos, livros que gastaram nosso tempo e simpatia; não são eles os mais insidiosos inimigos da sociedade, corruptores, poluentes, os escritores de falsos livros, livros fingidos, livros que enchem o ar com decadência e doença? Deixe-nos então ser severos em nossos julgamentos; deixe-nos comparar cada livro com os maiores da sua espécie. Ali eles mantém na mente as formas dos livro que lemos solidificados pelos julgamentos que fazemos deles – Robbinson Crusoe, Emma, The Return of Native. Compare as novelas com esses – mesmo a mais recente e mínima das novelas tem o direito de ser comparada com as melhores. E assim com a poesia – quando a intoxicação do ritmo tiver abrandado e o esplendor das palavras tiver murchado uma forma visionária retornará a nós e esta precisa ser comparada com Lear, com Fedra, com O Prelúdio; ou se não com esses, com quaisquer que sejam os melhores ou pareçam a nós serem os melhores da sua espécie. E devemos ter certeza que a renovação da nova poesia e ficção é sua mais superficial qualidade e que nós temos de alterar levemente, e não a remodelar, os padrões com que julgamos os antigos.

Seria tolo, então, pretender que a segunda parte da leitura, o julgamento, a comparação, é tão simples quanto à primeira – abrir a mente amplamente para o aglomerado rápido de inumeráveis impressões. Para continuar lendo sem o livro diante de você, para reter uma forma-sombra contra outra, para ter lido com amplitude suficiente e com suficiente entendimento para fazer tais comparações vivas e iluminadoras – esta é a dificuldade; é ainda mais difícil ir mais a fundo e dizer, “Não somente esse livro é desse tipo, mas ele é desse valor; aqui ele falha; aqui ele sucede; isto é ruim; aquilo é bom.” Para conseguir realizar essa parte, da obrigação do leitor, é necessário tal imaginação, intuição, e aprender que é difícil conceber uma mente qualquer suficientemente com qualidade e habilidade; impossível para o mais autoconfiante achar mais do que as sementes de tais poderes em si mesmo. Poderia ser sábio, então, ceder essa parte da leitura e permitir que os críticos, as autoridades adornadas com peles e mantos da biblioteca, decidam a questão do valor absoluto do livro para nós? Ainda, quão impossível! Nós podemos alargar o valor da simpatia; podemos tentar afundar nossa própria identidade ao lermos. Mas sabemos que não podemos simpatizar inteiramente ou nos imergir inteiramente; sempre há um demônio em nós que sussurra, “Eu odeio, eu amo,” e não podemos silenciá-lo. De fato, é precisamente por que odiamos e amamos que nossa relação com poetas e novelistas é tão íntima que achamos a presença de outra pessoa intolerável. E mesmo se os resultados forem abomináveis e nossos julgamentos estejam errados, ainda sim é nosso gosto, o nervo da sensação que envia choques através de nós, é o nosso chefe iluminador; nós aprendemos através do sentimento; não podemos suprimir nossa própria idiossincrasia sem empobrecê-la. Mas na medida em que o tempo passa talvez possamos treinar nosso gosto; talvez possamos submetê-lo a certo controle. Quando ele tiver se alimentado abundante e gulosamente de livros de todos os tipos – poesia, ficção, história, biografia – e tiver parado de ler e olhado por longos espaços sobre a variedade, a incongruência do mundo dos vivos, nós devemos achar que ele está mudando um pouquinho; ele não é tão insaciável, ele é mais refletivo. Isto irá começar a trazer-nos não meros julgamentos de livros particulares, mas irá nos dizer que existe uma qualidade comum em certos livros. Ouça, isto lhe dirá, o que devemos nós chamar isto? E isto vai ler-nos talvez o Rei Lear e talvez Agamemnon a fim de nos trazer essa qualidade comum. Dessa forma, com o nosso gosto nos guiando, devemos nos aventurar além do livro particular na busca de qualidades que unem livros em grupos; nós devemos dar-lhes nomes e, então, enquadrar uma regra que traga ordem nas nossas percepções. Devemos ganhar uma avançada e profunda satisfação dessa discriminação. Mas como uma regra só vive quando é perpetuamente quebrada pelo contato com os próprios livros – nada é mais fácil e mais degradante do que criar regras que existem fora de contato com os fatos, num vácuo – agora pelo menos, em prol de firmamo-nos nessa tentativa difícil, poderá ser bom se virar aos mui raros escritores que são capazes de esclarecer-nos sobre a literatura como uma arte. Coleridge e Dryden e Johnson, no seu criticismo considerado, os próprios poetas e novelistas em seus dizeres irrefletidos, são freqüentemente surpreendentemente relevantes; eles iluminam e solidificam as idéias vagas que vem tropeçando pela neblina das profundezas das nossas mentes. Mas eles só podem nos ajudar se nós viermos até eles cheios de dúvidas e sugestões ganhas honestamente no curso de nossas próprias leituras. Eles nada podem fazer por nós se nos reunirmos sobre sua autoridade e deitarmos como ovelhas nas sombras do cercado. Nós só podemos entender suas regras quando entram em conflito com as nossas próprias e as derrotam.

Se assim for, se para ler um livro como deve ser lido se pede as mais raras qualidades da imaginação, intuição, e julgamento, você poderá talvez concluir que a literatura é uma arte muito complexa e que é muito improvável que sejamos capazes, mesmo depois de uma vida inteira de leituras, a fazer qualquer contribuição valiosa ao seu criticismo. Nós devemos permanecer leitores; não vestiremos a distante glória que pertence aqueles raros seres que são também críticos. Mas ainda temos nossas responsabilidades como leitores e até nossa importância. Os padrões que construímos e os julgamentos que temos passam e infiltram o ar e se tornam parte da atmosfera que os escritores respiram como suas obras. Uma influência é criada e recai sobre eles, mesmo que isso nunca encontre um caminho até a publicação. E essa influência, se é bem instruída, vigorosa e individual e sincera, poderá ser de grande valor agora quando o criticismo está necessariamente pendente; quando livros passam por análises como a procissão de animais numa galeria de caça, e o crítico tem somente um segundo no qual carregar e mirar e atirar e for perdoado se errar trocando coelhos por tigres, águias por galinhas de porta de celeiro, ou errar tudo e desperdiçar seu tiro sobre alguma pacífica leitoa pastando em um campo distante. Se atrás do errático tiroteio da mídia o autor sentir que existe outro tipo de criticismo, a opinião das pessoas que lêem pelo amor da leitura, vagarosamente e de maneira não profissional, e julgando com grande simpatia, mas com grande severidade, não iria isso aumentar a qualidade da sua obra? E se pelos nossos meios os livros fossem ficando mais sólidos, ricos, e com maior variedade, isto seria um bom fim que valeria alcançar.

Mas quem lê para produzir um fim no entanto desejável? Não existem algumas buscas que praticamos porque elas são boas em si mesmas, e alguns prazeres que são últimos? E não é isso entre eles? Eu sonhei algumas vezes, pelo menos, que quando o Dia do Juízo Final vier e os maiores conquistadores, e advogados e políticos vierem para receber suas recompensas – suas coroas, suas homenagens, seus nomes cinzelados indelevelmente sobre o mármore imperecível – o Todo Poderoso se voltará para Pedro e dirá, não sem uma certa inveja quando ele nos olhar vindo com nossos livros sobre nossos braços, “Olhem, esses não precisam de recompensas. Nós não temos nada a dar-lhes aqui. Eles amaram a leitura.”

O Marxismo como ideologia do poder.

Ernst Topitsch

Revista de Estudios Políticos - Número 199. Enero - Febrero. 1975

http://www.cepc.es/rap/Frames.aspx?IDS=fkcdcdj2enonxk552v5dxe45_809080&ART=2,9381,REP_199_245.pdf

Traduzido por: Aline Goldoni / Revisão: Leandro Diniz


“Parece como se no futuro teria de se aplicar em maior medida a teoria do inconsciente aos grupos revolucionários. O fenômeno da inversão de fins e meios desperta a suspeita de que sob os fins conscientes se encontravam desde o princípio fins inconscientes de outra índole. Os fins conscientes, cuja figura representa a sociedade sem classes e sem Estado, servem em tais casos a ocultação do desejo subconsciente de ‘absolutização’ própria do poder.”

Assim escreveu o marxista iugoslavo Svetozar Stojanovic em seu livro de 1970, “Crítica e futuro do socialismo”. Com ele, o autor comunista reiterou uma conclusão que Sigmund Freud já havia formulado em 1932 em uma carta dirigida a Albert Einstein: “Quando ouvimos das crueldades da história, temos as vezes a impressão de que os motivos ideológicos só teriam servido de pretexto aos apetites destrutivos, e outras vezes, por exemplo, nas crueldades da sagrada Inquisição, cremos que os motivos ideológicos teriam passado a primeiro plano na consciência, e que os motivos destrutivos lhes teriam proporcionado um apoio inconsciente. Ambas as coisas são possíveis.”

A possibilidade posterior de que crueldades poderiam ser cometidas tão somente com bons fins e sem outros motivos, nem sequer foi tomada em consideração por este profundo conhecedor da alma humana. Assim, ele já se referiu ao fato fundamental de que ideais ou utopias altamente morais – como também “humanísticos, emancipatórios ou progressivos – poderiam servir de modo inconsciente ou até consciente, de disfarce e arma a ânsia de poder, ao desejo de destruição, ao ódio, a inveja e ao ressentimento.

Neste sentido, foi realizada, desde a década de 1960, no campo do pensamento ilustrativo, psicoanalítico e também marxista uma “desmistificação da revolução” que nem sequer se deteve frente a seus profetas e os Santos Padres. Entre os pesquisadores que serão citados aqui, em primeiro lugar se encontra o austríaco Robert Waelder, um discípulo de Freud, que teve que emigrar em 1938 e ocupou cargos acadêmicos elevados como psicanalista na América do Norte. Sua obra póstuma, escrita em alemão. “Progresso e Revolução” (1970), oferece uma excelente análise das brilhantes fachadas, da nobre ilusão e dos efetivos motivos e estratégias, muito menos brilhantes e nobres, dos movimentos revolucionários e dos seus redentores até mesmo o “Che” Guevara. Referem-se, em especial, ao pai do materialismo histórico as obras de Arnold Künzli, Karl Marx. Uma psicografia (1966); Ernest Kux, Karl Marx. A declaração revolucionária (1967), e a biografia de Marx de Robert Payne (1968), que até agora só existe em inglês. Infelizmente, estas obras importantes não tem tido até agora a atenção correspondente ao seu valor. Para muitos leitores, se tem aprofundado na correnteza inapreciável da literatura do marxismo, e nos setores de esquerda se tem vislumbrado sua eminente periculosidade e a silenciado cuidadosamente. Em último lugar, também me esforcei em compilar as idéias desses autores em meu livro Deificação e Revolução (Munique, Pullach, 1973), e em classificá-las em relações mais amplas.

O caso é que se as teses bem fundamentadas desses trabalhos estão certas, terá de ser revisada totalmente ou até eliminada uma lenda que tem exercido e ainda hoje exerce uma considerável influência político-cultural. Trata-se da fé no pensamento humanístico-revolucionário que, segundo se diz, teria inspirado o jovem Marx, mas que no Marx posterior teria sido reprimido por um modo de ver mais estreitamente econômico e teria sido substituído finalmente no marxismo soviético por uma ideologia do poder “bizantinicamente” estagnada. Esta concepção teve uma divulgação extraordinariamente ampla na época do pós-guerra, pois correspondia aos interesses mais variados.

Os intelectuais do Oriente que queriam humanizar o sistema de seu mundo, acreditavam encontrar a legitimação marxista deste nas primeiras obras do pensador, de certo modo no evangelho ainda puro. Muitos representantes das Igrejas que desde o final dos anos de 1950 desenvolveram um crescente prazer pelo “diálogo”, queriam ver na fase prematura “antropológica” um esforço pelo homem que pode constituir uma base comum para um humanismo cristão e marxista. Não poucos amigos ocidentais do marxismo que detestavam e depreciavam sua simplificação e petrificação stalinista, consideravam aqueles primeiros textos como fundamento para uma nova iniciativa emancipatória que devia evitar o “beco sem saída” da ortodoxia de Moscou.

Parece que tudo isso se põem agora radicalmente em dúvida. Argumentos importantes falam em favor da tese contrária, ou seja, de que Marx havia desenvolvido desde o princípio sua concepção da historia e da sociedade, pelo menos subconscien-temente, como glorificação e justificação ideológica de suas próprias aspirações de poder e domínio relacionado com a fé em seu apostolado messiânico e com tendências até ao auto-endeusamento. O caso é que as investigações mais recentes confirmam e ampliam uma das características mais agudas que possuímos da personalidade e dos fins do revolucionário, ou seja, a carta do tenente Techow, na qual este oficial informa a um amigo na Suíça acerca de uma conversa com Marx em 21 de agosto de 1850. Techow teria tido que fugir da Alemanha devido a sua participação na revolução de 1848-49, e encontrou em Londres com Marx que queria ganhá-lo como seguidor. Esta informação é conhecida há muito tempo, mas é citada na literatura quase sempre como um trecho somente, omitindo-se em tal caso as partes mais importantes do mesmo. Está escrito com serenidade e sem animosidade; em alguns pontos revela uma admiração aberta, e em outros há no fundo um tom de sentimento.

Durante esta conversa, Marx havia tomado, provavelmente animado por seu parceiro, grande quantidade de vinhos fortes e estava ao final “totalmente bêbado. Isto – escreve Tchecow – correspondia plenamente aos meus desejos, pois Marx foi sendo cada vez mais sincero do que provavelmente teria sido em outra ocasião. Obtive certeza a respeito de muitas coisas que em outro caso teriam seguido sendo suspeitas para mim. Apesar de seu estado dominou até o fim a conversa.

“Deu-me a impressão não só de uma superioridade intelectual pouco freqüente, como também de uma personalidade importante. Se tivesse tanto coração como cérebro, tanto amor como ódio, eu passaria pelo fogo por ele, apesar de que em particular havia insinuado em várias ocasiões seu menosprezo total, até que ao final o havia expressado abertamente. Ele é o primeiro e o único entre nós a que atribuo a força de governar, a força de não se perder no pequeno até sobre importantes circunstancias.

“Lamento por nosso objetivo que este homem não possa oferecer junto ao seu eminente espírito um coração nobre. Mas tenho a convicção que a ambição pessoal mais perigosa tenha destruído tudo de bom nele. Se ri dos estúpidos que rezam com ele seu catecismo do proletariado..., o mesmo que dos burgueses. Os únicos a quem respeita são os aristocratas, os puros e os que são conscientes. Afim de eliminá-los do poder necessitava de sua força que encontrou unicamente nos proletários, e por isto havia adaptado seu sistema a estes.

“Apesar de todas suas afirmações contrárias, talvez precisamente da raiz delas se obtém a impressão de que seu poder pessoal é o propósito de toda sua atividade. Engels e todos seus antigos sócios, apesar de seus bonitos talentos, se encontram muito por baixo e atrás dele, e se alguma vez o omitem, os faz retroceder a sua primitiva relação com uma insolência digna de um Napoleão.”

O próprio Marx confirmou indiretamente essa caracterização como certa: quando o documento desmascarador chegou a conhecimento público, uns nove anos mais tarde, devido a uma imprudência, sua ira beirou a loucura. Mas a informação de Techow, cuja importância sublinhou sobretudo Robert Payne, é confirmada, ampliada e aprofundada por uma grande quantidade de dados biográficos anteriores, assim como pela análise crítica da estrutura e da exigência de verdade da doutrina de Marx.

Ernes Kux e, em especial, Arnold Künzli, demonstraram convincentemente, a raiz de uma valoração minuciosa precisamente dos primeiros documentos - e também dos intentos poéticos que neste aspecto são muito reveladores – que Marx já estava dominado em seu tempo de estudante por uma consciência de apostolado messiânico, por pretensões cesarianas de poder e por incontroláveis desejos de destruição. Sempre reencontramos nesses poemas uma ânsia de destruição deste mundo acompanhada de trapaça e sentimentos de vingança, como, por exemplo:

Dann werf ich den Handschuh hóhnend
Einer Welt ins breite Angesicht,
Und die Riesenzwer'gin stürze dróhnend,
Meine G!ut erdrückt ihr Trümmer nicht.

Então, eu atirei as luvas zombando
Um mundo de vasta extensão,
E o de Riesenzwergin caiu ecoando
Minha fartura não sobrepujou sua destruição.

A destruição total do mundo ao jovem de dezenove anos como base e confirmação da sua divindade:

Gotterahnlich darf ich wandeln,
Siegreich ziehn durch ihr Ruingnreiche.

Como um deus posso me parecer,
Triunfo conquistado através da derrocada de seu poder.

A esta tendência até o endeusamento também correspondia o comportamento autoritário que já mostrava o jovem Marx, e que exigia a submissão e não permitia contradição alguma. Sua filha, Eleonor Marx-Aveling, já assinala, inclusive, Marx “como uma criança era um horrível tirano”. Uma descrição do ano de 1846 fala deste revolucionário como se segue: “seu jeito... era arrogante, com um indício de desprezo, e sua voz, metálica, estava em estranha concordância com os julgamentos radicais que expressava a respeito das pessoas e coisas. Não se manifestava de outra maneira do que em julgamentos que não admitiam contradição... Esta característica expressava a firme convicção de que sua missão era a de dominar os espíritos, de impor-lhes sua vontade...; tinha ante a mim a encanação do ditador democrático”. Mas também, em geral, surpreende sempre novamente a atitude totalmente intolerante e orientada até o domínio absoluto que Marx adotava inclusive e precisamente em frente de seus amigos e correligionários. Não exigia somente reconhecimento, respeito e apoio, mas sim submissão incondicional. Comunistas e anarquistas como Moses Hess e Michael Bakunin teriam lamentado amargamente dele, e de certo modo do outro final do espectro político procede a confirmação disso através da informação de um agente de polícia do ano de 1853, que diz: “M. não admite rivalidade a respeito da sua autoridade como chefe do partido, e é vingativo e implacável contra seus rivais e inimigos políticos; não pára até tê-los aniquilado; sua condição predominante é uma ambição e uma ânsia de poder sem limites. Apesar da unidade comunista que é seu propósito, ele é o dominador absoluto do seu partido; é certo que ele mesmo faz tudo, mas também só ele mesmo dá as ordens, e nesse aspecto não admite oposição”.

Só um discípulo da natureza de Engels podia submeter-se a ele, e também não podia fazer sempre. As demais amizades se quebraram devido àquela exigência absoluta. Michael Bakunin, que como personalidade dinâmica e prometéica mostrava certas semelhanças com o criador do materialismo histórico, não só pressentiu as conseqüências totalitárias de sua doutrina, como também foi mais fundo quando enfatiza que Marx era tão intolerante e autocrático como Jeová, e até mesmo tão vingativo quanto este.

Também Heine, quem – segundo expôs Dolf Sternberger em seu livro publicado recentemente Heinrich Heine e a abolição do pecado - compartilhou durante algum tempo, sob a influência de Hegel e do saint-simonismo francês, a idéia de auto-endeusamento comentada em suas Confissões, de 1854, dos jovens hegelianos e de “seu amigo muito mais obstinado Marx” como de “auto-divindades atéias”.

Com base nisto, sem dúvida, pode demonstrar-se, até em detalhes, que Marx não aplicou sua pretensiosa construção do processo histórico e social somente ao proletariado, mas também primeiramente a ele próprio, como Techow havia analisado de maneira correta. O destino geral da humanidade é exposto aqui, de certo modo, como show gigantesco ao redor da figura do Deus-redentor procedente de Trier. O esquema fundamental para isso Marx desenvolveu da raiz de uma tradição neoplatonica-gnóstica e cabalística que foi facilitada sobretudo por Schelling e Hegel. No escopo deste trabalho não é possível aprofundar mais no que se refere à natureza daquela mística de auto-endeusamento, na qual o “Deus futuro” só se converte realmente em Deus através do homem que se auto-endeusa. Marx, desde cedo, modificou consideravelmente, o motivo do “endeusamento de Deus pelo endeusamento do homem” que encontramos em Hegel. No caso mundial, interpretado por ele como um processo universal de salvação, não é Deus que se exterioriza até o mundo para alcançar através do ser humano sua própria consciência e com isto chegar a sua própria perfeição e divindade consciente de si mesmo, mas sim a humanidade trabalhadora que está submetida à alienação e escravização, e que alcança seu ponto culminante ou seu ponto mais baixo no proletariado convertido pelo capitalismo em mercadoria e totalmente desumanizado.

Entretanto, esse ponto mais baixo é ao mesmo tempo o começo de uma nova fase, porque aqui aparece Marx, quem mostra ao proletariado e com isso a humanidade o caminho predestinado da desumanização até a obtenção da recuperação de sua verdadeira humanidade, revelando o sentido objetivo da história que até então estava ocultado por uma “falsa consciência”. O mesmo que o deus do idealismo absoluto só chega a ser consciente em Hegel, através de Hegel e graças a Hegel, do processo universal como caminho necessário até uma verdadeira divindade, a alcançando deste modo, o “deus da humanidade” do ateísta judeu somente chega a ser consciente em Marx, através de Marx e graças a Marx, do processo histórico como caminho necessário até sua verdadeira perfeição, a qual, desde cedo, não pode ser alcançada mediante mera contemplação filosófica, mas sim por meio de ações revolucionárias. Enquanto o filósofo que especulativamente se transformava em Deus pode realizar seu trabalho na tranqüilidade escritório, o desejo de poder do transformador do mundo, levado até o exterior, precisava dos meios necessários exteriores de poder, e estes Marx acreditava ter encontrado no proletariado.

A dramatização da própria pessoa endeusada até o ponto crucial em que se revela ao deus da humanidade o segredo de sua redenção, e a realização prática das exigências de poder relacionadas com isso são a priori a partir de que Marx projetou sua construção da história. Este esquema fundamental já está completo e disposto muito antes do Manifesto Comunista. Com isso não nos propomos afirmar que Marx estivera claramente consciente deste seu modo de proceder; mas também, ao menos a princípio, os elementos tradicionais do messianismo judaico e as especulações gnóstico-idealistas de auto-endeusamento formaram nele um sistema que deveria considerar como descobrimento genial sem apreciar os mecanismos psíquicos que, ocultados, exerciam sua influência. Entretanto, da conversa com Techow se percebe evidentemente que o profeta revolucionário já se aproximava às vezes, pouco depois de alcançar os trinta anos de idade, da visão do que verdadeiramente significava sua doutrina sobre a missão do proletariado como redentor da humanidade. A informação do tenente inclusive faz pensar que não se pode excluir totalmente a possibilidade de que Marx então já tinha se servido daquilo muito conscientemente, e quem sabe com certo cinismo, do mito do proletariado como um instrumento de política de poder pessoal. No entanto, mais provável é que o pensador revolucionário sempre tenha suprimido as dúvidas que lhe surgiam e havia conservado assim a fé em sua doutrina ao menos como uma forma de mentira vital.

Também poderia ser um meio para essa opressão a exigência que Marx sempre formulava de novo com a insistência patética no que se refere à cientificidade de sua doutrina. Desde cedo, Marx realizou indubitavelmente obras científicas importantes e deu sugestões de valor para a pesquisa posterior. Entretanto, justamente no lugar realmente decisivo do seu sistema não correspondeu a um dos princípios fundamentais de toda a cientificidade ao privar sua doutrina, talvez conscientemente, de toda possibilidade de revisão: quase não falamos nas indicações específicas, algumas a cerca do estado futuro de salvação da humanidade já não alienada e acerca do caminho que leva até esse ponto. Künzli assinala nesta relação que Marx não indicou, com toda intenção, nada específico nesse ponto “porque temia comprometer-se demasiadamente com isto, por em perigo sua grande concepção histórica da salvação ao descrever e discutir detalhes que se poderiam analisar, confrontar com a realidade, criticar ou contradizer em parte ou totalmente. Mas com isso colocaria em duvida toda a concepção histórica da salvação”.

Apesar de todas as manifestações contrárias, não se trata, pois, nos pontos decisivos da construção da história realizada por Marx, de uma revelação científica, nem tão pouco de um melhor futuro para a humanidade. O pensador não oferece nenhuma antecipação controlável nem uma planificação daquele estado futuro de salvação baseada em fundamentos razoáveis da intuição. Este estado de salvação permanece, porém, em uma incerteza sublime e há de servir, em sua magnitude que não pode submeter-se a controle e crítica, às exigências de poder e as necessidades de destruição do revolucionário.

Assim, a doutrina de Marx demonstra ser em grande medida um instrumento político-psicológico. A profecia da vitória necessária da revolução proletária há de encher os seguidores de inquebrantável confiança, incitar aos que ainda vacilam a aderir à causa que amanhã terá êxito e, se é possível, há de desmoralizar os adversários. Além disso, a doutrina da revolução como verdadeira “humanização da humanidade” devia prover a própria luta da mais elevada aureola moral, e deveria formar um juízo moral, mais destruidor sobre a classe combatida, mas também sobre os rivais democráticos e socialistas.

A burguesia que se opõe ao processo universal de salvação não só é barrada finalmente por isto, como se faz culpada ao mesmo tempo de crime contra a humanidade ao mantê-la em estado de não-humanidade e se propor a impedir sua libertação universal e humanização. Assim, o burguês se estigmatiza (apesar de inconscientemente, uma vez que está dotado de uma “falsa consciência”) como não humano. Desde cedo, Marx não atribui esta culpa somente ao capitalista individual, mas também ao sistema capitalista como tal, o aeon da abjeção, contra o que o proletariado expressa julgamento com inevitável necessidade.

No entanto Marx submete a um veredicto ao menos igualmente duro aos seus rivais comunistas, cujos sistemas pretendiam ter superado por seu próprio “socialismo científico” e contra os que formulavam, além disso, a suspeita de que tiveram motivos moralmente condenáveis. A “inveja geral que se constitui como poder em tal ‘comunismo tosco’ só é a forma oculta pela qual surge a cobiça, que unicamente se satisfaz de outro modo. A idéia da propriedade privada como tal, ao menos quando está dirigida contra a propriedade privada mais rica, está dominada pela inveja e a ânsia de nivelação...; o comunismo tosco só é o complemento desta inveja e desta nivelação a partir de um mínimo imaginado...”.

O pensador revolucionário estava, então, muito consciente dos motivos que freqüentemente respaldam as doutrinas e movimentos comunistas, e nesta relação também deveria ter refletido acerca de seus próprios motivos. Mas ao que parece, aqui retornam a atuar os mecanismos de supressão: seu próprio comunismo não só está, como “ciência”, muito acima daquelas formas “toscas”, mas também como “abolição positiva da propriedade privada como auto-alienação humana” e, por isso, como “apropriação verdadeira da essência humana por e para o homem”, segundo o que se queira compreender com base nessas formulações.

Assim, Marx ocultou a problemática dos motivos e metas do comunismo, que conjecturava com claridade em seus rivais, em seu próprio caso diante de si mesmo e de outros atrás de uma construção mais exigente da história, cujas elevadas pretensões científicas e morais, sem dúvida, demonstraram ser irrealizáveis.

Enquanto permanece certa indecisão a questão de se e até que ponto Marx chegou a estar consciente da verdadeira motivação e função de sua doutrina histórico-filosófica da salvação, em Lenin estão muito mais claras as coisas. É quase certo que o pai do poder soviético acreditou até sua idade madura na verdade do marxismo, pois podemos seguir exatamente como se transformou no vitorioso revolucionário nos últimos anos da sua vida, por causa de experiências decepcionantes, um evidente processo de desilusão. Mas Marx não retirou disso conseqüências fundamentais contra a doutrina marxista, mas sim tratou de salva-la transladando a um futuro indeterminado o advento do estado de salvação no sentido de um adiamento da parusía. Mas também para Lênin, ao menos inconscientemente, a doutrina do futuro império da paz, da não-violência, da liberdade e da plenitude teria desta maneira o fim de prover de uma aureola a satisfação de exigências de poder de crueldades e de desejo de destruição, assim como de dissipar as objeções morais que se puseram contra. Tais tendências se revelam bastantes claras nos próprios escritos de Lênin. A este respeito é especialmente impressionante uma passagem da revista Espada Vermelha, órgão oficial da Tchecoslováquia, de 18 de agosto de 1919: “O nosso é um novo código de moral. Nossa humanidade é absoluta, pois se baseia sobre o ideal glorioso da eliminação da tirania e da submissão. Tudo nos é permitido, pois somos os primeiros no mundo que fazem uso da espada não só para escravizar e submeter, mas sim em nome da liberdade e da libertação da escravidão”.

Talvez possa se atribuir boa fé a Lênin e sua bainha. Mas quase seis décadas depois podemos apreciar claramente, a luz das comoventes experiências, mas também com ajuda da crítica mais desenvolvida da ideologia, quão facilmente pode servir uma suposta humanidade e emancipação absoluta como disfarce e arma do poder absoluto e do terror absoluto.

Ernst Topitsch

terça-feira, 26 de maio de 2009

The KGB and Soviet Disinformation: An Insider’s View [Desinformação Soviética e a KGB: Uma visão de dentro], por Ladislav Bittman (Pergamon-Brassey, 227 p., $16.95)
http://findarticles.com/p/articles/mi_m1282/is_v38/ai_4373956/?tag=content;col1

Por Cort Kirkwood
26 de Setembro de 1986 – National Review – Traduzido por: Leandro Diniz

“Quando o céu clareou, eu estacionei o carro em um pequeno acostamento, abri a porta, e saltei do carro. Caminhei até a frente do carro e rasguei o sinal distintivo que me dava imunidade diplomática. Eu não precisava mais dele. Eu tinha cruzado um ponto sem volta...”

Então terminou o serviço ao comunismo de Ladislav Bittman, como contado no livro The Deception Game [O Jogo de Decepção], um relato autobiográfico de uma vida como um desinformador, propagandista, e agente secreto Tcheco que existia há 14 anos. Desde então, entre as aulas na universidade em que ele ensina sobre o assunto, Bittman vem coletando informações sobre medidas ativas soviéticas para seu segundo livro, The KGB and Soviet Disinformation: An Insider´s View. Bittman conta sobre os rumores, mentiras, e terrorismo que são todos partes da campanha ativa da KGB para desmoralizar e subjugar o Ocidente sem guerra.

Bittman, ex-major da inteligência Tcheca e subcomandante do Departamento D, o departamento de desinformação, foi um alto operativo de inteligência de 1954 até 1968. Em The KGB and Soviet Disinformation, ele esclarece instrutivamente sobre medidas ativas – aktivnyya meropriyatiya – “operações clandestinas projetadas para estender a influencia e poder soviéticos ao redor do mundo.” Jogos de desinformação têm sido peças-chave nas medidas ativas da KGB desde seu surgimento.

Bittman descreve, com diagramas, várias versões do desinformativo “plano de ação, ... no qual os participantes têm um de três papéis: operativo, adversário e agente em standby.” O adversário é geralmente um país ocidental, freqüentemente os EUA; o agente em standby, um país de terceiro mundo ou um indivíduo simpatizante viajante ; e o operador, a KGB ou outro serviço de inteligência do bloco do Leste.

Gradualmente Bittman esclarece que desinformação é um “jogo” somente no mesmo sentido de “jogos de guerra”: isto é, um campo altamente especializado de estudo que requer que o “operador” entenda a política, história, psicologia, relações exteriores, cultura e as fraquezas de ambos, o “agente em standby” e do “adversário”. Adicionalmente, as medidas ativas soviéticas fazem parte de uma estratégia de longo prazo. “Os especialistas de desinformação de Moscou sabem que uma simples ação secreta ... não podem ter influência decisiva no equilíbrio do poder entre a aliança ocidental e o bloco comunista. Mas eles crêem que uma produção maciça de medidas ativas trarão um significativo efeito acumulado durante um período de décadas.”

Bittman confirma duas crenças a muito defendidas por famosos críticos da mídia: a) a desinformação soviética é bem sucedida; e b) ela é bem sucedida em grande parte porque os jornalistas pensam que são muito sofisticados para serem enganados pelos agentes soviéticos.

Pegue, por exemplo, a infame “Relatório de dissensão sobre El Salvador e a América Central,” que circulou avidamente pelo extremo-esquerdo Serviço de Notícias do Pacífico (Pacific News Service) e foi veiculado primeiro por um obscuro jornal inglês e, poucos dias depois, pelo Boston Globe e pelo New York Times. O relatório, que clamava pelo fim do apoio dos EUA ao governo salvadorenho e uma “solução, não-militar, através da negociação” na América Central, foi supostamente escrito por “oficiais dissidentes do Departamento de Estado.” De fato, diz Bittman, aquilo era uma “falsificação óbvia.” De qualquer forma, Stephen Kinzer, um repórter esquerdista então no Boston Globe, escreveu uma matéria de capa, em 28 de novembro de 1980, sobre as conclusões, atribuindo elas a um “distinguido grupo de diplomatas e especialistas em inteligência.”

Em primeiro de dezembro de 1980, relata Bittman, “o colunista Anthony Lewis deu ao relatório publicidade nacional [no New York Times] sem verificar sua autenticidade.” O Times veio a saber que o documento era uma falsificação dois meses depois, mas somente após Flora Lewis, outra colunista do Times, também ter escrito um artigo com base no relatório.

Outro caso: em 20 de março de 1975, um artigo do New York Times, de co-autoria de um “consultor de assuntos estrangeiros e escritor sobre relações entre Europa e a América,” que foi de fato escrito por um bem pago, condecorado espião da Alemanha do Leste.

E muito para os “agentes em standby.” Quando se trata de “adversários,” a KGB conduzirá medidas ativas contra qualquer um ou qualquer coisa – mesmo supostos amigáveis países do bloco soviético. Alvos incluíram Henry Kissinger, fisgado em casa como um agente da KGB e no estrangeiro como o líder atrás de uma “política estrangeira egoísta e traidora dos EUA”; Aleksandr Solzhenitsyn, condenado no livro de sua esposa inspirado pela KGB; e mesmo a Tchecoeslováquia, durante a curta Primavera de Praga em 1968.

Naquele momento, Bittman estava cansado de jogar o jogo da decepção. Ele vinha se iludindo a si mesmo durante todo o tempo. Nas horas da manhã de 21 de agosto de 1968, depois dos soviéticos invadirem a Tchecoeslováquia e esmagarem os contra-revolucionários, Bittman deixou seu posto da inteligência em Viena. Dois meses depois ele aterrissou nos EUA e começou sua carreira como um escritor e professor acadêmico, espalhando informação ao invés de desinformação.

Hoje, Ladislav Bittman ainda se parece com um típico agente da KGB – careca lisa, bigode e cavanhaque, físico firme. Parece, não obstante, que seus contos incisivos sobre “truques sujos” contra seu lar adotivo têm uma qualidade sincera, quase um arrependimento, e oferece aos aspirantes a jornalistas uma importante lição de humildade: Mesmo eles não estão imunes à desinformantes tão habilidosos quanto Ladislav Bittman.

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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Decisões de Sodomia Baseadas em “Ciência” Fraudulenta
As origens sadomasoquistas do julgamento da opinião de Kennedy

por Judith Reisman
08/19/2003
http://www.humanevents.com/article.php?id=1565 - traduzido por: Leandro Diniz

(Esta é a primeira parte de uma série de três) No seu livro notório “A Estrutura das Revoluções Científicas”, Thomas S. Kuhn, o falecido filósofo da ciência do MIT, observou que os cientistas não são sempre desinteressados, acadêmicos “objetivos”. Freqüentemente, descobertas através de pesquisas falhas tornam-se a “moda” na medida em que os cientistas e a sociedade abraçam o novo paradigma revolucionário baseados em “descobertas científicas” ilusórias. Considere a “ciência” da “frenologia”, tão popular um século atrás, que ligava especificamente a inteligência e os traços do caráter ao formato da cabeça e o tamanho do crânio. Lawrence vs. Texas é um flagrante, verdadeiramente assustador, exemplo justo de uma tal revolução “científica” problemática, uma que nos EUA a Suprema Corte está levando a ciência podre a aceitação pública, marchando a América e o mundo para um pântano infestado de serpentes. Por muitas razões, qualquer investigação revisionista da história traz à mente Thomas Jefferson, que alertou-nos, “Se uma nação espera ser ignorante e livre, num estágio da civilização, ela espera o que nunca foi e nunca será.” Rick Perlstein notou essa ignorância em seu ensaio extático para o Washington Post, “O que os Estudos sobre Gays ensinaram a Corte.” Perlstein observou: “repórteres podem ter pulado o dever de casa ao reportar sobre os fundamentos históricos da decisão da maioria,” pois embora Lawrence tenha sido uma guinada “momentânea” na moral econômica americana, “o que não foi explicado é a base para a decisão paradigmática de Kennedy.” Ele estava correto até então. A Corte baseou sua desastrosa decisão sodômica em conhecimentos fraudulentos que enganaram seis juízes. Sua ignorância da porca história e “ciência do sexo”, levou diretamente a uma decisão grotesca que irá promover mais ainda os atos sexuais que adoecem e matam incontáveis pessoas. Perlstein ofereceu um esclarecimento interno que advogados e intelectuais conservadores não aceitaram. Os juízes também, “pularam o dever de casa” ao considerar “a fundamentação da decisão da maioria.” De maneira inconcebível, a Corte cita audaciosamente apenas autoridades “científicas” secundárias na sua decisão sodômica. De fato, retroagindo a opinião de Kennedy até suas origens, revela-se que a maioria confiou em somente uma fonte sobre a “ciência” do sexo como a autoridade primária em sexo e sodomia da Corte, ou seja, o bi/homossexual, sadomasoquista, fraudulento comprovado, professor Alfred C. Kinsey. A evidência mostra que o Juiz Kennedy se dobrou aos “fatos” sobre sodomia como documentados pelo American Law Institute's Model Penal Code (ALIMPC [algo como Modelo do Código Penal do Instituto de Lei Americana]) de 1955. Ainda a fonte primária de “dados” sobre sodomia codificados como “fatos” pela Corte no ALIMPC era Kinsey sozinho. Na verdade, não somente a maioria confiava em Kinsey como a primeira autoridade em sexo, mas os “estudos sobre gays” históricos revisionistas que a maioria citou também tinham Kinsey como sua fonte primária de ciência do sexo. Mas vamos voltar ao ALIMPC. Kennedy opinou: “Em 1955 o Instituto de Lei Americana promulgou o Modelo de Código Penal e deixou claro que não era recomendado ou eram garantidas ‘penalidades criminais para relações sexuais consentidas conduzidas em locais privados.’ E justificou sua decisão em três fundamentos: (1) As proibições minavam o respeito pela lei ao penalizar uma conduta na qual muitas pessoas estavam engajadas; (2) os estatutos regulavam condutas privadas sem danos a outros; e (3) as leis eram arbitrariamente forçadas e então convidavam ao perigo da chantagem.” [Ênfases adicionadas.] O advogado do Kentucky, Ronald E. Ray, Amicus Curiae[1] em Lawrence vs. Texas resumiu a Corte e informou que: 'Em relação a homossexualidade, [ALI informou] Schwartz citou os relatórios de Kinsey como evidência da freqüência da atividade homossexual e a falta de sentido de tentar controlá-la.’ De fato, através da ‘pesquisa’ de Kinsey, muitas leis estaduais sobre sodomia mudaram ou venceram.” Especialistas? Dificilmente. Estudos acadêmicos meticulosos revelam que todas as asserções da ALIMPC sobre o “direito” da sodomia vieram de um alegado “especialista” Kinsey em Comportamento Sexual no Macho Humano (1948) e Comportamento Sexual na Fêmea Humana (1953). O capítulo 8 do meu livro, Kinsey: Crimes & Consequenses (1998, 200, 2003 [Kinsey: Crimes e Conseqüências]) documenta completamente a dominação de Kinsey na seção “Sex Offences” [Crimes Sexuais] da ALIMPC de 1955. Mas em 26 de Junho de 2003 a Suprema Corte dos EUA sacramentou os dados fraudulentos de Kinsey como a lei da revolução moral da nossa terra, mesmo que tenha derivado de crimes de torturas sexuais infligidas em pelo menos 317 e tantas quantos 2,035 bebês ou crianças, que “convulsionaram,” “desmaiaram” e tentaram escapar de seus ofensores. O “especialista” prof. Kinsey, ele mesmo era um sodomasoquista bárbaro, relatou que as pequenas vítimas “gostaram” de ser torturadas sexualmente (Male, ver esp. p. 160-161 e p. 180). Embora Kinsey tenha sido citado ao longo da seção “Sex Offenses” do ALIMPC de 1955 seis vezes em 12 páginas, as oitos páginas do “Sodomy and Related Offenses” [Crimes de Sodomia e relacionados] citaram extensivamente o livro de Kinsey Male, com 19 de 21 citações da “Frequency of Sexual Deviation” [Freqüência do Desvio Sexual] tomadas de Kinsey. Seus dados da ciência do sexo são as únicas citações. Os escritores da ALIMPC citaram a má ciência de Kinsey a fim de derrubar a moralidade sexual Judaica-Cristã da The Greatest Generation [A Grande Geração] e substituí-la com a ideologia anárquica do sexo de Kinsey. Este falsamente declarou em seu livro de 1948 (citado na ALIMPC) que 72% dos homens praticam sexo oral, 40-50% de meninos do campo fazem sexo com animais, e que “37% do total da população masculina tem pelo menos algumas experiências homossexuais que chegaram ao orgasmo entre as idades da adolescência e adulta. Isso envolve aproximadamente 2 homens de cada 5 que alguém pode encontrar.” E onde Kinsey coletou esses “dados” de que os ilustres autores do Modelo de Código Penal e seis juízes da Suprema Corte Americana se basearam voluntariamente para erigir em valores? Acontece que Kinsey, famoso pelas suas estatísticas “sexuais”, não sabia nada sobre estatística, simplesmente inventando o que precisava, elevando seu namorado ao nível de “estatístico.” De fato, aproximadamente 86% dos sujeitos masculinos em que Kinsey se baseou eram aberrações sexuais, criminosos ou deturpados mentalmente. Por exemplo, Wardell Pomeroy, co-autor (com Kinsey) do volume Male, declarou: “Pelo fim de 1940 [Kinsey] tinha gravado mais de 450 histórias de homossexuais (...) Seus contatos de Chicago e St. Louis começaram a espalhar (...) como galhos em uma árvore. Com 700 histórias gravadas até o momento, sua tabulação, curvas e gráficos de correlações começaram a se tornar impressionantes (...) No outono de 1940 ele descreveu seu trabalho sobre prisões: ‘Tenho lá 110 histórias de presidiários e posso ter quantas centenas eu quiser.’” Mais ainda, a confiança da Corte em leis estrangeiras para justificar sua demolição das nossas próprias leis tinha origem na citação da ALIMPC de 1955 do “Foreign Countries” (p. 162 [Países Estrangeiros]). Entre muitas outras referências da ALIMPC a especialistas que confiavam em Kinsey nós achamos um crescente apelo para substituir a penitenciária por psicoterapia. Kennedy também declarou, para a Corte: “Em 1961 Illinois mudou suas leis a fim de conformar-se com o Modelo de Código Penal. Outros Estados logo o seguiram... .As abrangentes referências do Presidente da Suprema Corte Burger à história da Civilização Ocidental e à moral Judaica-Cristã e padrões éticos não levaram em conta outras autoridades que apontassem numa direção oposta. Um comitê para assessorar o Parlamento Britânico recomendou em 1957 o cancelamento de leis punindo a conduta homossexual. O Relatório Wolfenden... .O Parlamento decretou a substância de tais recomendações 10 anos mais tarde.” [Ênfases adicionadas.] Kinsey fez uma rápida viagem à Inglaterra para servir como conselheiro sobre a ciência do sexo para o Relatório Wolfenden (mesmo que ele esteja ausente da lista de “testemunhas” do Wolfenden), que exaltou o The Kinsey Reports em sua página de capa e citou seus dados falsos sobre o homossexualismo extensivamente. O ALIMPC e o Wolfenden foram as autoridades em sexo/sodomia que Kennedy citou para a Corte. Juiz Scalia observou a importância do ALIMPC: “Em confiança, por evidencia de um ‘reconhecimento emergente,’ sobre as recomendações ao American Law Institute de 1955 a não criminalizar ‘relações sexuais consensuais conduzidas em locais privados,’ antes, em 11, a Corte ignorou o fato de que a recomendação era ‘um ponto de resistência na maioria dos estados que consideraram adotar o Modelo de Código Penal.’” A Corte precisava revisitar essa decisão sob a luz de novos fatos esclarecendo nossa ignorância: o conhecimento que um enganador parafílico[2] foi a fonte principal usada pela Suprema Corte dos EUA como sua autoridade principal em “ciência do sexo” no caso Lawrence vs. Texas. Jonathan Gathorne-Hardy, um dos recentes hagiógrafos de Kinsey, escreve em Sex, The Measure of All Things (1998 [Sexo, A Medida de Todas as Coisas]) que “O Modelo de Código de Penal de 1955 do American Law Institute é virtualmente um documento de Kinsey!”


A Origem Dúbia dos “Estudos sobre gays”
“Ciência” Fraudulenta de Kinsey Permeia as Leis e a Academia

por Judith Reisman
09/03/2003
http://www.humanevents.com/article.php?id=1700 - traduzido por: Leandro Diniz

(Esta a segunda parte de uma série de três) O Juiz da Suprema Corte Anthony Kennedy baseou sua opinião majoritária pró-sodomia em Lawrence vs. Texas em recursos legais que se baseavam no demonstrado fraudulento Prof. Alfred C. Kinsey. Kennedy tinha companhia. Citar os “dados” falsos de Kinsey é um procedimento padrão na profissão legal e nos “trabalhos” acadêmicos nos quais os juristas usam como suporte das suas decisões. A primeira parte dessa série expôs o “entendimento científico” da Corte em Lawrence que veio a ser transformar em 1955 no Modelo de Código Penal do American Law Institute (ALIMPC) e em 1957 no Relatório Wolfenden (Inglês). Ambos se baseavam nos “achados” fraudulentos de Kinsey em seus Sexual Behavior in the Human Male (1948) e Sexual Behavior in the Human Female (1953). Nessa segunda parte, nós escrutinaremos mais a crença-Kinsey, o tipo de “matéria científica” que persuadiu seis juízes da Suprema Corte em Lawrence que declarou fora da lei que a “sodomia homossexual vai de encontro aos interesses do estado.” Em sua dissensão poderosa do Lawrence, o juiz Antonin Scalia preveniu, “as leis do estado conta a bigamia, casamento de pessoas do mesmo sexo, incesto por adultos, prostituição, masturbação, adultério, fornicação, bestialidade, e obscenidade (...) estão todas de volta à questão pela decisão de hoje.” Em adição, ele censurou severamente a “cultura da profissão legal” acadêmica de se basear em tudo menos na Constituição. O juiz da ideologia sexual da academia está correto; a “cultura da profissão legal” está oficialmente como subscrevendo a ideologia sexual de Kinsey. Considere que durante um período de 16 anos, de 1982 a 1998, pelo menos 1,000 dos mais importantes artigos de jornais acadêmicos da área do direito citam Kinsey como sua autoridade científica. E a criticamente importante American Association of Law Schools (Associação Americana de Escolas de Direito) comanda a total submissão a essa ética da “igualdade” homossexual. Mas não são somente as escolas de direito. Uma pesquisa (American Enterprise, 2002) confirma a observação anedótica de que quase 100% daqueles que ensinavam história, “estudos sobre homossexuais” e mulheres em nossas principais universidades são auto-declarados esquerdistas. Isso significa que a academia está colocando na lista negra scholars[3] tradicionais. Isso é má ciência e, como visto em Lawrence, produz leis más. Os discípulos de Kinsey também dominam as ciências sociais. The Science Citation & Social Science Citation Indices (algo como Citações Científicas & Índices de Citações Científicas) de 1948 até 1997 coletou 5,796 publicações acadêmicas que citaram Kinsey, muito mais do que o adversário mais próximo sobre a “sexualidade”, Masters & Johnson, com 3,716. Ao invés de procurar pela verdade objetivamente, scholars estão aceitando a noção de Kinsey da sexualidade sem críticas, pois eles gostam dos “achados” falsos. Como o professor de inglês da Universidade de Michigan, David Halperin, escreveu em 1996, “estudos sobre gays e lésbicas (...) expressam uma militância política inflexível (...) [disparando] uma transformação intelectual profunda nas disciplinas de humanidades, artes e ciências sociais assim como na vida social das universidades americanas e na cultura profissional da academia americana.” Em “What Gay Studies Taught the Court,” (O que os Estudos sobre Gays ensinaram à Corte) Rick Perelstein, um repórter do Washington Post, observou que “estudiosos sobre gays (...) professores de história” ajudaram a demolir as leis anti-sodomia americanas ao legitimar o que eram antes vistas como “politicamente correto” e “estudos de interesses especiais.” Ele diz que a Suprema Corte fez “os estudos sobre gays (...) sabedoria (...) fundamental (...) para fixar a lei da terra.” Em Lawrence, onde a Corte endossou a pesquisa sexual pelo nome de “estudos sobre gays”, aparece, junto com Richard Posner, o Presidente da Suprema Corte do Sétimo Circuito de Cortes de Apelação.[4] O ALIMPC, assim como todos os especialistas acadêmicos das Cortes que se seguem, traçam sua origem “pioneira” até Kinsey. Ainda ninguém condena, ou sequer admite, sua sexualidade psicopática e sua “orientação” sádica e o fato de que empregou pedófilos a fim de sodomizar bebês e crianças. O teste do “orgasmo” (ver Tabela 34), medida por um cronômetro, são reproduzidas do volume de Kinsey de 1948. Primeiro, considere a citação da Corte ao Overcoming Law (Superando a Lei). Aqui Posner diz, “a escala de Kinsey (..) de zero a seis (...) representa a variação das preferências homossexuais,” invocando o índex de homossexualidade criado artificialmente por Kinsey como se refletisse de fato a realidade. Posner repete os “achados” fraudulentos de Kinsey baseado em pura fé e reza a sua suposta sabedoria sobre sexo, mas convenientemente ignora os “experimentos” maléficos, dos colaboradores de Kinsey, de “tortura” através do orgasmo em crianças, e até em bebês com menos de um ano. O psicopata Kinsey é a autoridade sobre sexo de Posner (...) e Poster é a autoridade sobre sexo da Corte. Mais, a Corte indica Intimate Matters (Assuntos Íntimos), de Estelle Freedman e John D’Emilio, prósperos professores de história, e estudos sobre gays e mulheres. Eles devotaram completas 20 páginas das 428 a citar os clamores de Kinsey. Kinsey fez, eles dizem, “o maior assalto no domínio público à reticência sexual” e ajudou a influenciar as decisões da Suprema Corte sobre “obscenidade.” A “nova história” tipicamente se utiliza das fraudes de Kinsey para sabotar a fidelidade conjugal e a castidade. Freedman e D’Emilio esconderam a verdade de que somente poucas mulheres normais falaram com Kinsey e que ele teve que definir esposa como alguém que viveu “pelo menos um ano” com um homem. Ao confundir prostitutas e outras aberrações femininas com esposas, Kinsey criou altos ranques para a promiscuidade feminina pré-casamento, adultério e aborto, que esses “historiadores” contaram à Corte ser a verdade. Os autores apontaram que “as estimativas de Kinsey fazia definhar todos os cálculos anteriores” sobre a homossexualidade, mas eles cobriam dados que refutavam os clamores ideológicos dirigidos de Kinsey de que a homossexualidade é “benigna”. Kinsey é a autoridade sobre sexo de Freedman e D’Emilio e eles são as autoridades sobre sexo da Corte. Por último, a Corte cita do livro do “historiador de estudos sobre gays” Johnatan Katz, The Invention of Heterosexuality (A Invenção da Heterossexualidade), que promove as fraudes de Kinsey. Katz argumenta em outro lugar que desde a “escala de Kinsey,” a noção de “um continuum erótico se tornou um ponto de suporte popular para um pluralismo sexual liberal,” adicionando que “sérios” escritos sobre sexo foram desenvolvidos (...) “para dar uma legitimidade bastarda sobre o assunto.” Em suas citações de acadêmicos que cultuavam Kinsey, a Suprema Corte Americana ignorou alguns fatos estranhos sobre Kinsey como uma “autoridade” sobre sexo. Por exemplo, Kinsey escondia seus próprios “interesses” bissexuais, homossexuais, pornográficos, sadomasoquistas e pedófilos. Mesmo o simpático biógrafo James Jones documentou sobre Kinsey a molestação sexual de homens, sua compulsão por masturbação e os rituais sexuais violentos que levaram eventualmente a sua morte. Jones confirmou que Kinsey distinguia si mesmo como um sóbrio, americano médio, homem de família e scholar em prol de promover sua agenda legal e sócio-sexual. Kinsey é de uma única vez o mais poderoso, e o mais fraco, link da corrente liberal, que tenta incessantemente subverter a saúde e bem-estar dos americanos.

O Congresso deve Investigar e Retirar o Financiamento dos Kinseyites[5]
Reviver a legislação que deve reverter a ‘kinseynização’[6] da cultura americana.

por Judith Reisman
10/21/2003
http://www.humanevents.com/article.php?id=2135 - traduzido por: Leandro Diniz

(Terceira parte de uma série de três) Nas primeiras duas partes dessa série, nós expusemos como que Lawrence vs. Texas, a recente decisão inconstitucional pró-sodomia da Suprema Corte dos EUA, citou fontes legais e acadêmicas que se baseiam em dados falsos, os ridículos “achados” sobre desvios sexuais de 1948 e 1953 do Prof. Alfred C. Kinsey. Essa deturpada e insustentável decisão em Lawrence foi trágica por si só. Pior ainda, muitos discípulos de Kinsey vão continuar a manter o uso dessas “descobertas” erradas sobre a sexualidade para perverter as leis americanas, a educação, a cultura e a sociedade. Isso é, até que o Congresso se conscientize e tome alguma providencia em relação. Uma das piores facetas da kinseynização da vida americana é o dano direto que traz às nossas crianças e a juventude. As mentiras centrais dos kinseyites de que “todos fazem isso,” que “crianças são sexualmente ativas desde o nascimento,” “crianças do ensino fundamental e médio precisam de educação sexual,” e que “crianças podem tomar decisões por si mesmas” tem aberto uma temporada para um sem número de abusadores de crianças. A verdade é: as mãos frias e mortas de Alfred Kinsey estão se fechando sobre as crianças americanas, e a culpa reside largamente nos acadêmicos apologéticos, que incluem até facilitadores da pedofilia. Isso é inaceitável e tem que mudar. E o Congresso pode mudar isso. Como? Primeiro, aqui vai uma revisão da história recente. Kinsey é o “pai da revolução sexual,” graças às suas sensacionalistas e amplamente divulgadas obras sobre comportamento sexual dos homens (1948) e das mulheres (1953). Essas obras formam a base para o Modelo de Código Penal do American Law Institute de 1955, que se engana sobre autoridades estaduais e federais e que reduz, ou mesmo abole, punições para muitos dos crimes sexuais. Ainda a influencia de Kinsey não pára por aí. Seus livros continuam entranhados na mitologia acadêmica, mesmo que essa autora e seus colegas tenham “demolido os fundamentos dos dois relatórios [de Kinsey],” em um artigo no jornal médico inglês The Lancet, confirmado desde 1990. Kinsey conseguiu minar a moralidade sexual clássica/bíblica americana ao criar um novo falso campo acadêmico, o estudo da “sexualidade”, agora completo com todos os toques intelectuais de professores, livros, pesquisas, revistas, conferências, currículos escolares e garantias governamentais. Esta nova comunidade “científica” de maneira não científica baniu todos os que poderiam apresentar fatos que expõem Kinsey como uma fraude e um psicopata sexual. Essa conveniência deixa os kinseyites livres para continuar infligindo sua prejudicial e anti-científica mensagem pró-aberrações sobre a sociedade americana. Essa resistência cega dos scholars aos fatos não é atípica, como o falecido filósofo da ciência do MIT Thomas S. Kuhn apontou em seu livro, A Estrutura das Revoluções Científicas. Ele descobriu que scholars “os quais baseiam suas pesquisas em paradigmas compartilhados e que são comprometidos às mesmas regras e padrões (...) têm como premissa que a comunidade científica sabe como o mundo é.” Cientistas, diz Kuhn, “defendem esta assunção, se necessário a um custo considerável” e freqüentemente “suprimem [dados] fundamentais (...) subversivos para seus comprometimentos básicos.” Então se os dinossauros kinseyites, amplamente financiados pelos contribuintes, se recusam a mudar, eles precisam ser extintos. Um meio excelente para o Congresso fazer isso é reviver o projeto de lei da Câmara de 1995, o Child Protection and Ethics in Education Act (Ato de proteção à criança e ética na educação). Nesse estágio inicial, esse projeto de lei ordenada uma investigação do Congresso “para determinar se os livros Sexual Behavior in the Human Male e/ou Sexual Behavior in the Human Female de Alfred Kinsey são o resultado de qualquer fraude ou ato transgressor.” Se a resposta for sim, todos os passados ou presentes impostos para os programas de educação sexual e similares dos propagandísticos kinseyites devem ser eliminados e todos os professores, livros etc. baseados em Kinsey devem ser avaliados baseando-se na “natureza corrompida dos relatório de Kinsey.” Esta é uma arma poderosa. Ao menor pensamento de tal escrutínio do Congresso, a Universidade de Indiana praticamente trancou seu convidado no campus, o Instituto Kinsey, pelas razões alegadas de orçamento. Infelizmente as poderosas fundações Rockefeller e Ford entraram no jogo e a legislação de Proteção à Criança acabou sendo passada à segundo plano. De qualquer jeito, a proposta de investigação pelo Congresso recebeu uma publicidade mundial, e isso trouxe a produção de um grande documentário inglês, “Secret History: Kinsey´s Paedophiles.” (História Secreta: os Pedófilos de Kinsey) Esse filme da televisão de Yorkshire, produzido pelo diretor premiado Tim Tate, foi exibido por toda a Inglaterra em 10 de agosto de 1998, e ganhou ampla aclamação e deu a BBC a glória. O filme documentou que Kinsey foi alimentado com dados de pedófilos brutais assim como um nazista alemão, Dr. Friz von Balluseck que foi posteriormente preso em 1955 por um assassinato sexual de uma criança, com Balluseck tendo sido instigado por Kinsey na Universidade de Indiana. Em 1998, John Bancroft, então diretor do Instituto Kinsey, contou aos kinseyites em São Francisco que ele “rezou” para que os americanos nunca tivessem que ver esse filme. O Instituto Kinsey fez mais que “rezar”. Apesar das aclamações dos críticos ao documentário de Tate, nenhuma estação de televisão americana nunca o exibiu. O instituto é aberto apenas a membros, mas ele recebe grandes financiamentos, tanto federais quanto estaduais, para “ciência”, tal como palestras pró-pedofilia e a medição do nível de excitação sexual das pessoas. Em 1998, a Universidade de Indiana republicou a “pesquisa” fraudulenta de Kinsey, mas escondeu a verdade sobre os dados falsos e sua “metodologia” através do abuso de crianças. Ela até lançou uma campanha midiática de um ano de duração a fim de enterrar a história de Kinsey como um pioneiro de atrocidades “científicas” sobre sexo no melhor estilo nazista, que foi a bárbara experimentação sobre “orgasmos” de Kinsey, e/ou estupradores treinados por Kinsey, em bebês tão novos quanto dois meses, usando cronômetros enquanto as pequenas vítimas convulsionavam, desmaiavam, berravam, choravam e imploravam para serem libertadas, apenas para serem “testadas” e algumas vezes filmadas novamente. Não foi uma surpresa de maneira alguma saber que Hollywood está filmando Kinsey, um filme biográfico que irá glorificar este monstro e omitir a sórdida realidade de que ele era um bissexual sadomasoquista viciado em pornografia e provavelmente um pedófilo. Nem o filme irá admitir que Kinsey solicitou “dados” sobre abusos sexuais de crianças de Balluseck e dos pioneiros da North American Man-Boy Love Association (Associação Norte-Americana de Amor entre Homens-Meninos). A propósito, o website da NAMBLA chama Kinsey de seu herói “pela luta que travamos hoje.” Os kinseyites estão nas alturas, mas podemos pará-los. Fale a seu deputado ou senador que eles devem reviver e aprovar o Ato de Proteção à Criança e Ética de 1995 para que o Instituto Kinsey e sua minoria pró-pedofilia em toda a Academia sejam devidamente investigados, expostos e percam seus financiamentos. A segurança das almas das crianças americanas estão em jogo, e nós não podemos falhar nessa ação.

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[1] Amicus curiae (amici curiae plural) é uma expressão jurídica latina, traduzida literalmente como "amigo da corte", que se refere a alguém, não partidário de um caso, que voluntariamente oferece informações sobre uma questão de direito ou de algum outro aspecto do o caso para auxiliar o tribunal a decidir uma questão que lhe foi submetida. voltar

[2] Parafilia - Uma parafilia (do grego παρά, para, "fora de",e φιλία, filía, "amor") é um padrão de comportamento sexual no qual a fonte predominante de prazer não se encontra na cópula, mas em alguma outra actividade.
Em determinadas situações, o comportamento sexual parafílico pode ser considerado perversão ou anormalidade.
As parafilias podem ser consideradas inofensivas e, de acordo com algumas teorias psicológicas, são parte integral da psique normal — salvo quando estão dirigidas a um objeto potencialmente perigoso, danoso para o sujeito ou para outros (trazendo prejuízos para a saúde ou segurança, por exemplo), ou quando impedem o funcionamento sexual normal, sendo classificadas como distorções da preferência sexual na CID-10 na classe F65. voltar

[3] scholar s. culto, literato; sábio; acadêmico; estudioso; aluno; pessoa que ganhou bolsa de estudos. voltar

[4] uma das doze cortes de apelação dos EUA que cobrem um grupo de estados conhecidos como ‘circuito’. voltar

[5] Os seguidores de Kinsey. A formação de novas palavras na língua inglesa é muito mais fácil pela aglutinação que lá soa natural e tranqüila. voltar

[6] Outra maneira clássica de tornar um nome um adjetivo. Do original kinseyization qual eu traduzi por kinseynização. voltar